Simpósio Internacional de Psicologia

Autores

  • Henrique Larenas Faria henriquelarenasfaria@gmail.com
    Faculdade Estácio de Carapicuíba, Centro Universitário Estácio de São Paulo

Palavras-chave:

Psicologia, Inquietações, Psicologia na Prática

Resumo

O primeiro Simpósio Internacional de Psicologia foi mais do que um evento. Foi um espaço de travessia. Um território construído com palavras, olhares e silêncios, onde a psicologia pôde se sentar à mesa, tirar os sapatos, e conversar de verdade com quem faz, quem estuda e quem vive esse ofício diariamente.

Desde os primeiros minutos da abertura, percebemos que não se tratava de uma sequência de falas ou apresentações formais. A proposta era outra. Mais viva. Mais humana. Mais atravessada pela existência real. Como foi dito ali mesmo, com humor e crítica afiada: "Não estamos na ONU. Estamos na psicologia" — esse lugar onde o silêncio vale mais que o microfone e onde a escuta, quando é de verdade, pode mudar um destino.

O simpósio foi construído sobre dois pilares temáticos: Psicologia na Prática e Tendências e Análises com o uso das Ações em Psicologia. Mas o que se levantou ali foi mais do que estrutura temática — foi uma verdadeira construção coletiva de sentido.

Foi a prática confrontando a teoria.

Foi a clínica olhando para o social.

Foi a tecnologia tentando não apagar a subjetividade.

Foi a dúvida se apresentando como uma velha amiga, e não mais como inimiga do saber.

Entre provocações de Cortella, inquietações de Arendt, memórias de Jung, e uma piscadinha sarcástica para o terapeuta holístico do Instagram, ficou claro que esse evento se propôs a afirmar uma psicologia comprometida, crítica e ética — e não pasteurizada, rasa ou algoritmizada.

Vimos falas que lembraram que psicólogo que é psicólogo escuta até na fila do pão de queijo. Que o sofrimento não manda aviso, não respeita o setting, e que a escuta verdadeira — aquela que toca e transforma — não cabe em formulário padronizado. E também ouvimos que acolher não é aceitar tudo. Que escutar não é ficar calado. Que cuidar também é saber sair de cena quando necessário.

A psicologia apresentada aqui não foi a da vitrine, da cartilha, da técnica isolada. Foi a psicologia das ruas, das escolas, das famílias, dos sistemas em colapso e dos indivíduos tentando respirar dentro deles. A psicologia que resiste ao esvaziamento simbólico, que insiste no humano, que se compromete com a dor sem fetichizá-la.

E talvez o maior valor desse simpósio tenha sido este: a coragem de lembrar que o psicólogo não é neutro. Ele não é máquina de aplicar testes, nem guru de autoajuda com diploma. Ele é um profissional que se implica. Que se afeta. Que se transforma. Que precisa parar, pensar e se perguntar: que psicologia estou praticando quando ninguém está olhando?

Ao longo desses encontros, plantamos perguntas. E como dizia Leandro Karnal: “Ninguém muda porque ouviu uma palestra. Mas uma boa palestra pode plantar uma dúvida. E é da dúvida que nasce o movimento.”

Se saímos daqui com perguntas novas — ótimo.

Se saímos com desconfortos — melhor ainda.

Porque é no desconforto ético que nasce o posicionamento real.

E o mundo lá fora exige posicionamento.

Não de arrogância. Mas de presença.

Nos lembramos, ao final, que a psicologia também é feita de afeto.

De redes. De travessia coletiva.

E que sim, somos jardineiros da mente.

Não controlamos o tempo.

Não aceleramos a flor.

Mas regamos.

Podamos excessos.

Acolhemos silêncios.

E confiamos que, mesmo sem aplausos imediatos, o florescer virá.

Se algo deu errado nesse evento — ótimo. A gente analisa depois, em grupo.

Se algo te tocou — maravilhoso. Leva pra terapia.

E se você veio só pelo certificado… ele será enviado por e-mail.

Mas se por acaso você sair daqui um pouquinho diferente…

Então missão cumprida. Com laudo, CID, e assinatura carimbada da alma.

Para encerrar — e agora, sim, de verdade —

Fica o desejo mais sincero, que foi dito com voz embargada na última fala da noite:

“Se eu não puder mudar o mundo inteiro, que eu ao menos ajude alguém a mudar o seu. E já será suficiente.”

Que venham os próximos encontros.

As próximas inquietações...

 

Tenha uma boa leitura.

Publicado

30-07-2025
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Como Citar

FARIA, H. L. . Simpósio Internacional de Psicologia. Revista Remecs - Revista Multidisciplinar de Estudos Cientí­ficos em Saúde, [S. l.], p. 2–4, 2025. Disponível em: https://www.revistaremecs.com.br/index.php/remecs/article/view/1976. Acesso em: 18 maio. 2026.