Simpósio Internacional de Psicologia
Palavras-chave:
Psicologia, Inquietações, Psicologia na PráticaResumo
O primeiro Simpósio Internacional de Psicologia foi mais do que um evento. Foi um espaço de travessia. Um território construído com palavras, olhares e silêncios, onde a psicologia pôde se sentar à mesa, tirar os sapatos, e conversar de verdade com quem faz, quem estuda e quem vive esse ofício diariamente.
Desde os primeiros minutos da abertura, percebemos que não se tratava de uma sequência de falas ou apresentações formais. A proposta era outra. Mais viva. Mais humana. Mais atravessada pela existência real. Como foi dito ali mesmo, com humor e crítica afiada: "Não estamos na ONU. Estamos na psicologia" — esse lugar onde o silêncio vale mais que o microfone e onde a escuta, quando é de verdade, pode mudar um destino.
O simpósio foi construído sobre dois pilares temáticos: Psicologia na Prática e Tendências e Análises com o uso das Ações em Psicologia. Mas o que se levantou ali foi mais do que estrutura temática — foi uma verdadeira construção coletiva de sentido.
Foi a prática confrontando a teoria.
Foi a clínica olhando para o social.
Foi a tecnologia tentando não apagar a subjetividade.
Foi a dúvida se apresentando como uma velha amiga, e não mais como inimiga do saber.
Entre provocações de Cortella, inquietações de Arendt, memórias de Jung, e uma piscadinha sarcástica para o terapeuta holístico do Instagram, ficou claro que esse evento se propôs a afirmar uma psicologia comprometida, crítica e ética — e não pasteurizada, rasa ou algoritmizada.
Vimos falas que lembraram que psicólogo que é psicólogo escuta até na fila do pão de queijo. Que o sofrimento não manda aviso, não respeita o setting, e que a escuta verdadeira — aquela que toca e transforma — não cabe em formulário padronizado. E também ouvimos que acolher não é aceitar tudo. Que escutar não é ficar calado. Que cuidar também é saber sair de cena quando necessário.
A psicologia apresentada aqui não foi a da vitrine, da cartilha, da técnica isolada. Foi a psicologia das ruas, das escolas, das famílias, dos sistemas em colapso e dos indivíduos tentando respirar dentro deles. A psicologia que resiste ao esvaziamento simbólico, que insiste no humano, que se compromete com a dor sem fetichizá-la.
E talvez o maior valor desse simpósio tenha sido este: a coragem de lembrar que o psicólogo não é neutro. Ele não é máquina de aplicar testes, nem guru de autoajuda com diploma. Ele é um profissional que se implica. Que se afeta. Que se transforma. Que precisa parar, pensar e se perguntar: que psicologia estou praticando quando ninguém está olhando?
Ao longo desses encontros, plantamos perguntas. E como dizia Leandro Karnal: “Ninguém muda porque ouviu uma palestra. Mas uma boa palestra pode plantar uma dúvida. E é da dúvida que nasce o movimento.”
Se saímos daqui com perguntas novas — ótimo.
Se saímos com desconfortos — melhor ainda.
Porque é no desconforto ético que nasce o posicionamento real.
E o mundo lá fora exige posicionamento.
Não de arrogância. Mas de presença.
Nos lembramos, ao final, que a psicologia também é feita de afeto.
De redes. De travessia coletiva.
E que sim, somos jardineiros da mente.
Não controlamos o tempo.
Não aceleramos a flor.
Mas regamos.
Podamos excessos.
Acolhemos silêncios.
E confiamos que, mesmo sem aplausos imediatos, o florescer virá.
Se algo deu errado nesse evento — ótimo. A gente analisa depois, em grupo.
Se algo te tocou — maravilhoso. Leva pra terapia.
E se você veio só pelo certificado… ele será enviado por e-mail.
Mas se por acaso você sair daqui um pouquinho diferente…
Então missão cumprida. Com laudo, CID, e assinatura carimbada da alma.
Para encerrar — e agora, sim, de verdade —
Fica o desejo mais sincero, que foi dito com voz embargada na última fala da noite:
“Se eu não puder mudar o mundo inteiro, que eu ao menos ajude alguém a mudar o seu. E já será suficiente.”
Que venham os próximos encontros.
As próximas inquietações...
Tenha uma boa leitura.
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